Pular para o conteúdo principal

O brasileiro, esse crédulo

A ignorância do brasileiro médio faz com que ele seja, antes de tudo, um crédulo.

Ele acredita em qualquer lorota que ouve - basta que ela seja repetida intensamente para virar verdade.

A internet é campo fértil para disseminar boatos, notícias falsas, e até mesmo para interpretar a história como se ela fosse uma obra de ficção.

Há inúmeros sites criados justamente com essa finalidade de espalhar mentiras.

São peças da guerra ideológica promovida pela direita, que não tolera a democracia, para exterminar da vida política seus adversários, no caso, inimigos, ou seja, os partidos de esquerda, movimentos sociais, sindicatos, organizações populares e de classe. 

Muitos são sofisticados, que devem ser mantidos por equipes numerosas e bem pagas.

E outros canhestros, toscos, que dificilmente seriam considerados verazes não fosse a natural idiotia do brasileiro médio.

As mensagens, correntes e "notícias" que correm na rede beiram a insanidade.

Uma delas, para louvar a ditadura militar, diz que seus generais presidentes, de tão honestos que eram, morreram pobres, alguns deles necessitando até ajuda dos amigos para terem um funeral digno.

E existe quem acredita numa bobagem dessas!

Mas, enfim, o brasileiro médio leva a sério o que fala o pastor semianalfabeto que pede dinheiro para comprar uma estação de TV...

Tirar esse indivíduo da ignorância é quase impossível. 

Seriam necessários investimentos bilionários em educação, junto com o uso dos meios de comunicação de acordo com os princípios constitucionais: 

Art. 221 - A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

E como a gente sabe que isso nunca vai existir neste Brasil Novo governado por um bando de saqueadores e entreguistas, resta quase nada a fazer - para os que têm fé, rezar, talvez, à espera de um milagre; para os outros, a justa e muda indignação. (Carlos Motta)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…