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"O Brasil não pode se ausentar das questões mundiais"

No começo desta semana, mais de 700 pessoas lotaram o auditório da Casa Portugal, em São Paulo, para assistir à conferência de Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento foi organizado pelo Instituto Lula, a Fundação Perseu Abramo, a Frente Brasil Popular, o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), a Fundação Friedrich Ebert e o Grupo de Reflexão do sobre Relações Internacionais (GR-RI).

Intitulada "Em defesa de uma política externa ativa e altiva”, a fala de Amorim recapitulou os princípios de sua atuação como chanceler do Brasil. Antes da exposição principal, os membros da mesa, comandada por Luiz Dulci, ex-ministro e diretor do Instituto Lula, falaram sobre a guinada conservadora no Brasil e na América Latina. Estavam representadas todas as entidades organizadoras da atividade. Segundo Pablo Gentili, secretário-geral da Clacso, o evento foi uma oportunidade de refletir: "Estamos aqui para entender como podemos articular melhor o campo popular, como nos organizar". "O Instituto Lula, quanto mais atacado, mas se sentirá motivado a fazer atividades", afirmou Luiz Dulci.

O ex-chanceler, que fez parte do governo Itamar Franco, abriu sua fala comentando o processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff e o comparou com o de Collor: "O impeachment do Collor uniu o Brasil. O impeachment da presidenta Dilma está dividindo o Brasil."

Para Amorim, nosso país "é importante demais para ficar escondido em um cantinho". "O presidente Lula mostrou que não fazia sentido o Brasil se portar de uma maneira modesta. O Brasil não é modesto. O país, com a dimensão que tem, não tinha só que reagir de maneira altiva, mas ser um construtor da agenda internacional."

Amorim explicou que o foco da política externa era a diversidade: "O que nos interessava era criar uma agenda internacional diversificada, como a aproximação com a África". "Para cada problema africano, existe uma solução brasileira. E é verdade. Temos uma solidariedade ativa."

Outra prioridade da agenda era a integração e a proteção dos interesses da América do Sul: "O Mercosul não é apenas uma zona de livre comércio, é criar uma identidade latino-americana. A Alca não foi aprovada porque trabalhamos muito pelos nossos interesses".

"A verdade é que o Brasil passou a ser muito respeitado em todo mundo", resumiu o ex-chanceler. "A propensão do presidente Lula ao diálogo, só fez melhorar nosso relacionamento com o resto do mundo. A consciência de querer um país mais justo é que fez Lula querer fazer essa política externa ativa e altiva."

Celso Amorim terminou sua fala com um alerta: "O Brasil não pode se ausentar das questões mundiais". "Sempre com senso de justiça e solidariedade. Se a política externa não for ativa e altiva, ela não é política externa", completou. (Instituto Lula/Fundação Perseu Abramo)

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