Pular para o conteúdo principal

O alcagueta, esse ser repulsivo

A figura do delator, dedo duro, alcagueta, x-9, boca aberta, bate pau... nunca esteve tão em voga no Brasil como atualmente.

E, incrível, aquela figura que antigamente merecia repulsa de todos, hoje é louvada por juízes, magistrados, promotores, doutores em geral, que os premiam, em espécie e vida fácil, mesmo sabendo que não passam de reles ladrões, bandidos, assaltantes do dinheiro público, marginaizinhos que merecem apodrecer nas nossas luxuosas cadeias.

O alcagueta, esse ser repugnante, foi tema constante de um dos maiores artistas populares do Brasil, o cantor, percussionista e compositor Bezerra da Silva.

Bezerra, como todos sabem, foi o intérprete dos sem voz, das populações das favelas e periferias, do zé povinho que rala muito para sobreviver nesta sociedade injusta.

E para esse povo, o dedo duro foi, é e sempre será um tipo a se evitar.

Bezerra, nos sambas abaixo mostra o que os brasileiros pensam dos alcaguetas. (Carlos Motta)



Dedo Duro

Fecharam o paletó do dedo duro
Pra nunca mais apontar
A lei do morro é barra pesada
Vacilou levou rajada na idéia de pensar
A lei do morro é barra pesada
Vacilou levou rajada na idéia de pensar

A lei do morro é ver ouvir e calar
Ele sabia, quem mandou ele falar
Falou de mais e por isso ele dançou
Favela quando é favela, não deixa morar delator

Fecharam...




Língua de tamanduá

Todo cagoeta é safado e também tem 
instinto de traíra, aí que ele arrumou 
pro nosso irmãozinho, deu de bandeja 
um bom malandro. 

Veja bem o que você fez, 
seu língua de tamanduá 
tem gente pagando pelo que não fez 
só porque o seu dedo não soube apontar 
agora a malandragem já está sabendo 
que você cagoeta e vai lhe ripar 

Você sabe bem, 
a lei que se aplica em qualquer cagoete 
quando seu dedo entra numa anzól 
ele leva rajada ou entra no cacete(2x) 

É e você já sentiu que a rapaziada 
não está lhe aceitando 
porque sua língua nervosa 
tudo o que vê sai falando 

E agora canalha a barra para você pesou 
o seu nome já entrou na lista 
dos condenadoe e a hora chegou, olha aí 
vai levar eco pra deixar de ser delator 
(vai levar eco pra deixar de ser delator) 

Veja bem o que você fez, 
seu língua de tamanduá 
tem gente pagando pelo que não fez 
só porque o seu dedo não soube apontar 
agora a malandragem já está sabendo 
que você cagoeta e vai lhe ripar 

Você sabe bem, 
a lei que se aplica em qualquer cagoete 
quando seu dedo entra numa anzól 
ele leva rajada ou entra no cacete(2x) 

É e você já sentiu que a rapaziada 
não está lhe aceitando 
porque sua língua nervosa 
tudo o que vê sai falando 

E agora safado a barra para você pesou 
o seu nome já entrou na lista 
dos condenados e a hora chegou, olha aí 
vai levar eco pra deixar de ser delator 
(vai levar eco pra deixar de ser delator)... 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…