Pular para o conteúdo principal

No incrível Estado de SP ex-gordo tem desconto em restaurante

O deputado estadual paulista Wellington Moura (PRB) perdeu 70 quilos depois que fez uma operação de redução de estômago. Perdeu peso, e, parece, também a vergonha, pois ele é o autor do projeto 16.270/2016, que acabou virando lei - uma lei inacreditável, até mesmo para estes tempos loucos de Brasil Novo, pois obriga bares e restaurantes a dar descontos de 30% a 50% nas refeições para quem, como o parlamentar, se submeteu à tal operação, chamada de "cirurgia bariátrica".

Os ex-gordos de todo o Brasil estão em campanha para estender a incrível lei paulista para o país todo.

Seus planos, porém, pode se frustrar, já que a Justiça paulista, atendeu, dias atrás, pedido de liminar contra a lei, feito pelo Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

O juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara da Fazenda Pública, entendeu que a lei interfere no direito dos bares e restaurantes à livre iniciativa da atividade econômica e a autonomia dos próprios consumidores com cirurgia bariátrica quanto a escolher, entre os restaurantes disponíveis, e das opções em seus cardápios, qual o local e o que mais os agrada.

"Diante de fortes indícios de inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 16.270/16, por ofensa ao Art. 5º, XIII, e ao Art. 170, parágrafo único, ambos da Constituição Federal, defiro os efeitos da tutela provisória para determinar que a ré abstenha-se de autuar e impor sanções a restaurantes e similares com fundamento na lei estadual referida, afirmou, na decisão.

Em outras palavras, o juiz quis dizer aos ex-gordos que, se quiserem, eles podem, muito bem, comer nos famosos "quilos" o quanto e o que quiserem.

Também poderia, em sua sentença, lembrar que, se os ex-gordos julgam que devem ter descontos, o mesmo deve ser dado aos vegetarianos. (Carlos Motta)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…

O profeta Chico Buarque

Carlos Motta

Que Chico Buarque é um dos poucos gênios da raça, não há a menor dúvida.

Tudo o que ele fez e faz, faz bem.

Isso é fato provado e comprovado.

O que poucos sabem, porém, é que o músico, cantor, letrista, poeta, romancista, teatrólogo etc e tal tem poderes proféticos, como se fosse um Nostradamus tropical, capaz de, 30 anos atrás, prever o que seria o Brasil de hoje, o malfadado Brasil Novo nascido do assalto que a mais cruel, torpe e voraz quadrilha já empreendeu na história da humanidade.

"Vai Passar", na pegada arrebatadora de um samba-enredo, diz tudo sobre este país desafortunado.

Além de prever o seu futuro, explicitado em poucos e ótimos versos:

"Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações"

Quem sabe, sabe.

Chico Buarque sabe tudo e um pouco mais.

Aí estão, aos olhos de todos, as mais tenebrosas transações que possa…