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Indicadores econômicos sugerem continuidade da recessão

O nível de atividade econômica no Brasil permanece no campo negativo, com tímidos sinais de estabilização da recessão, mas sem dados que apontem para uma recuperação mais pronunciada num futuro próximo. O fim do aumento da produção industrial pode apontar para a confirmação de que os pequenos aumentos anteriores não passaram de um breve ciclo de acumulação de estoques, sem fôlego para prosseguir por maior tempo. A recente valorização cambial também pode acabar conspirando contra a pretensão de expansão do crescimento econômico, uma vez que reduz os ganhos dos exportadores e incentiva a retomada das importações.

Ademais, os indicadores de desemprego seguem em deterioração, assim como os dados de inadimplência, o que indica uma possibilidade diminuta de uma eventual recuperação da atividade econômica comandada pelo consumo das famílias. Mesmo que gere, em dólar, um ganho da renda do trabalho, a valorização cambial dificilmente será traduzida em aumento do consumo e investimento, seja pela situação difícil do emprego, seja pela elevada capacidade ociosa e penetração das importações na estrutura industrial brasileira.

Essa falta de alternativas na análise das principais variáveis que determinam o crescimento econômico já começa a dar sinais de atingir alguns analistas, fazendo com que a previsão de crescimento econômico da CNI saísse de -3,1% para -3,5%, frustrando alguns dos mais otimistas. 

Esse otimismo, que se refletiu no indicadores de confiança empresarial e do consumidor, traz em si uma curiosidade: apesar de o Índice de Expectativas apresentar elevação (o que sugere um pessimismo menor com o futuro da economia), o Índice de Situação Atual (ISA) se mantém bastante negativo e com baixo crescimento, ampliando a distância entre as expectativas dos agentes e a realidade em que eles se encontram. Caso este fenômeno prossiga, é de se esperar que as expectativas otimistas se mostrem frustradas, fazendo os índices de expectativas pararem de se recuperar e seguirem uma trajetória mais próxima do ISA.

Além disso, mesmo com a melhora gradual das expectativas, os indicadores se mantêm fortemente no campo negativo, o que indica uma continuidade da recessão num futuro próximo. Mesmo que entrem no campo positivo, não haveria hoje garantia de que expectativas otimistas levassem a um maior nível de investimentos, tendo em vista a enorme capacidade ociosa presente na indústria nacional, que terá de ser ocupada antes que se planejem novos investimentos produtivos. (Boletim de Análise de Conjuntura Econômica 5/Fundação Perseu Abramo)

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