terça-feira, 19 de julho de 2016

Desânimo com o Brasil Novo impede retomada da economia

Segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em maio as vendas no varejo restrito apresentaram queda de 1,0% na comparação mensal. Este resultado foi o pior para o mês de maio desde o início da série histórica. No mês anterior, o setor havia registrado alta de 0,5%, puxado especialmente por supermercados.



A queda do varejo no mês de maio se deu particularmente pela retração nas vendas de artigos de uso pessoal doméstico (-2,4%), que compreendem, por exemplo, lojas de departamentos, artigos esportivos e brinquedos. Outro setor que registrou expressiva queda foi o de móveis e eletrodomésticos (-1,3%). Também caíram as vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e perfumaria (-0,8%), combustíveis e lubrificantes (-0,4%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,7%), além de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2%). O único setor que apresentou crescimento nas vendas foi o de tecidos, vestuários e calçados, com aumento de 1,5%.

Tais resultados mostram que até o mês analisado a economia brasileira não tem apresentado uma tendência de retomada. Mais do que isso, o crescente aumento do desemprego tem tido um resultado deletério sobre a demanda por bens e serviços, que se traduz em uma consequente queda dos investimentos. 

A recuperação da economia perpassa a retomada das expectativas dos empresários quanto à demanda futura. É necessário que ocorra o aumento da utilização da capacidade instalada da indústria, contratação de mão de obra e, finalmente, novos investimentos. 

Há uma crise de confiança que afeta tanto o consumo quanto o investimento e impede a volta do crescimento da economia brasileira. Para reversão do atual quadro, é imperativo adotar uma política econômica comprometida com o crescimento sustentável, ajustando-se ao ciclo econômico, que não seja recessiva como a atual. Nesta, a estabilidade cambial e a redução das taxas de juros mostram-se fundamentais. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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