Pular para o conteúdo principal

Crise se agrava no mercado de trabalho

Se analistas têm apontado a desaceleração do agravamento da crise econômica (o que não significa, no entanto, ainda uma reversão), no mercado de trabalho o panorama ainda continua de agravamento da crise. E, neste momento, em reunião com o presidente interino Michel Temer, representantes da CNI chegam a defender a ampliação da carga de trabalho de 44 para 80 horas por semana: essa sugestão absurda mostra como a crise econômica vem sendo utilizada como justificativa para a aplicação de medidas que coloquem o custo desta nas costas dos trabalhadores.

Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-IBGE) contínua apontam 11,2% na taxa de desemprego entre abril e maio de 2016, o que corresponderia a 11,4 milhões de desocupados (3,3 milhões a mais em relação ao mesmo trimestre no ano anterior). 

Esse indicador ficou acima da taxa do trimestre móvel encerrado em fevereiro (10,2%) e superou também a do mesmo trimestre do ano anterior (8,1%). O número de empregados com carteira assinada no setor privado apresentou queda de 1,2% frente ao trimestre de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 e de 4,2% em comparação com igual trimestre do ano anterior. 

O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos (R$ 1.982) ficou estável frente ao trimestre dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 (R$ 1.972) e caiu 2,7% em relação ao mesmo trimestre do ano passado (R$ 2.037). Já a massa de rendimento real habitualmente recebida (R$ 175,6 bilhões) ficou estável frente ao trimestre dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 e apresentou redução de 3,3% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram que, em maio de 2016, foram eliminados mais de 72mil empregos celetistas no país, com retração de 0,18% do estoque dos empregos assalariados com carteira assinada em relação ao mês anterior. No ano de 2016, a perda até agora é de 448.101 empregos e nos 12 meses a perda é de 1.781.906 postos. O estoque de emprego para o mês de maio de 2016, segundo o Ministério, é de 39.244.949 trabalhadores com carteira assinada.

Ainda, a carta de conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisa que os mais atingidos pelo desemprego são os jovens entre 14 e 24 anos. A taxa de desemprego é maior no Nordeste, entre as mulheres, os mais jovens (até 25 anos), os que não são chefes de família, com ensino médio incompleto e nas regiões metropolitanas. 

No entanto, percebe-se que o desemprego tem crescido mais entre os chefes de família. A carta ainda aponta que a redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação. Assim, a queda generalizada nos rendimentos e na ocupação fez que, no trimestre entre fevereiro e abril de 2016, a massa salarial se situasse em 173 bilhões de reais (em valores de março de 2016), mesmo patamar de três anos atrás.

O panorama para o mercado de trabalho – e assim para os milhões de brasileiros que dependem dele – continua desfavorável, ainda mais em um governo interino que não mostra ter como prioridade a renda e o emprego. (Boletim de Análise de Conjuntura Social 5/Fundação Perseu Abramo)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…

O profeta Chico Buarque

Carlos Motta

Que Chico Buarque é um dos poucos gênios da raça, não há a menor dúvida.

Tudo o que ele fez e faz, faz bem.

Isso é fato provado e comprovado.

O que poucos sabem, porém, é que o músico, cantor, letrista, poeta, romancista, teatrólogo etc e tal tem poderes proféticos, como se fosse um Nostradamus tropical, capaz de, 30 anos atrás, prever o que seria o Brasil de hoje, o malfadado Brasil Novo nascido do assalto que a mais cruel, torpe e voraz quadrilha já empreendeu na história da humanidade.

"Vai Passar", na pegada arrebatadora de um samba-enredo, diz tudo sobre este país desafortunado.

Além de prever o seu futuro, explicitado em poucos e ótimos versos:

"Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações"

Quem sabe, sabe.

Chico Buarque sabe tudo e um pouco mais.

Aí estão, aos olhos de todos, as mais tenebrosas transações que possa…