quinta-feira, 7 de julho de 2016

A violência da PM choca o mundo

A matéria abaixo, reproduzida do site em português da Deutsche Welle, o serviço noticioso da Alemanha, se refere à Polícia Militar do Rio, mas pode se aplicar a qualquer outra do Brasil - o modus operandi dessas corporações é o mesmo.

As informações, que têm como fonte relatório da ONG Human Rights Watch, são alarmantes: 

"Pelo menos 645 pessoas foram mortas pela polícia no ano passado em todo o estado do Rio de Janeiro – perfazendo um total de 8 mil mortes ao longo da última década. Um quinto de todos os homicídios registrados na cidade do Rio em 2015 foi de autoria de policiais. A grande maioria dos mortos pela polícia (três quartos) é de homens negros."

As Polícias Militares se constituem numa herança maldita da ditadura militar. 

Agem acima das leis - na verdade, fazem as próprias leis. 

Funcionam como guarda pretoriana da plutocracia, perseguem jovens, pobres e negros, reprimem com violência qualquer manifestação contra o status quo, detestam movimentos sociais e partidos de esquerda, e vários de seus integrantes fazem "bicos" em milícias paramilitares fascistas.

Deveriam, a bem da democracia, serem extintas.

Segue a íntegra da matéria da DW:

Polícia é responsável por um quinto dos homicídios no Rio

Pelo menos 645 pessoas foram mortas pela polícia no ano passado em todo o estado do Rio de Janeiro – perfazendo um total de 8 mil mortes ao longo da última década. Um quinto de todos os homicídios registrados na cidade do Rio em 2015 foi de autoria de policiais. A grande maioria dos mortos pela polícia (três quartos) é de homens negros. Os dados estão no relatório da Human Rights Watch divulgado nesta quinta-feira (07/07): “O bom policial tem medo: os custos da violência policial no Rio de Janeiro.”

A despeito dos recentes assassinatos de policiais, o relatório mostra que a disparidade nos números ainda é muito grande. Baseada em estatísticas do ano passado, a HRW mostra que para cada policial morto em serviço no Rio, a polícia matou 24 pessoas – o dobro do que ocorre na África do Sul, por exemplo, e o triplo do registrado nos Estados Unidos.

A disparidade é ainda mais alarmante nas dez regiões com o maior número de tiroteios reportados: em apenas três zonas, as unidades policiais foram responsáveis por 483 mortes, contra 15 fatalidades entre policiais.

O relatório, baseado em mais de 60 casos de uso ilegal da força letal e aproximadamente 90 entrevistas, examina as medidas tomadas para assegurar a responsabilização criminal por abusos policiais no estado do Rio de Janeiro.

Em preparação para os Jogos Olímpicos, o governo do Rio prometeu melhorar o policiamento no estado, mas não abordou o problema da impunidade por execuções extrajudiciais cometidas pela polícia, que contribuem com o ciclo da violência e comprometem a segurança pública.

Praticamente todas essas mortes atribuídas à polícia são reportadas como atos legítimos de autodefesa em resposta a ataques de criminosos. De acordo com a Human Rights Watch, a polícia do Rio, de fato, enfrenta ameaças reais por parte de gangues de criminosos fortemente armados e, por isso, muitas das mortes são resultado do uso legítimo da força letal. No entanto, pondera o relatório, muitas outras são assassinatos extrajudiciais.

“A polícia atira em pessoas desarmadas, atira pelas costas em fugitivos e executa indivíduos que já estão imobilizados com tiros na cabeça”, indica o relatório.

A Human Rights Watch sustenta ainda que, ao cometer tais crimes, policiais incorrem em outros para não deixar pistas. Por isso, ameaçam testemunhas, “plantam” armas nas vítimas, removem corpos das cenas dos crimes para hospitais, alegando socorro a feridos. Tais abusos raramente chegam à Justiça.

Ainda de acordo com o relatório, a sociedade paga um preço alto pelas execuções ilegais por parte da polícia – não apenas a vítima e sua família – mas também a própria polícia. 

Os assassinatos alimentam um ciclo de violência que coloca em risco a vida dos policiais que trabalham em áreas com altos índices de violência, compromete sua capacidade de trabalho, pondo em risco a sociedade como um todo.

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