Pular para o conteúdo principal

A violência da PM choca o mundo

A matéria abaixo, reproduzida do site em português da Deutsche Welle, o serviço noticioso da Alemanha, se refere à Polícia Militar do Rio, mas pode se aplicar a qualquer outra do Brasil - o modus operandi dessas corporações é o mesmo.

As informações, que têm como fonte relatório da ONG Human Rights Watch, são alarmantes: 

"Pelo menos 645 pessoas foram mortas pela polícia no ano passado em todo o estado do Rio de Janeiro – perfazendo um total de 8 mil mortes ao longo da última década. Um quinto de todos os homicídios registrados na cidade do Rio em 2015 foi de autoria de policiais. A grande maioria dos mortos pela polícia (três quartos) é de homens negros."

As Polícias Militares se constituem numa herança maldita da ditadura militar. 

Agem acima das leis - na verdade, fazem as próprias leis. 

Funcionam como guarda pretoriana da plutocracia, perseguem jovens, pobres e negros, reprimem com violência qualquer manifestação contra o status quo, detestam movimentos sociais e partidos de esquerda, e vários de seus integrantes fazem "bicos" em milícias paramilitares fascistas.

Deveriam, a bem da democracia, serem extintas.

Segue a íntegra da matéria da DW:

Polícia é responsável por um quinto dos homicídios no Rio

Pelo menos 645 pessoas foram mortas pela polícia no ano passado em todo o estado do Rio de Janeiro – perfazendo um total de 8 mil mortes ao longo da última década. Um quinto de todos os homicídios registrados na cidade do Rio em 2015 foi de autoria de policiais. A grande maioria dos mortos pela polícia (três quartos) é de homens negros. Os dados estão no relatório da Human Rights Watch divulgado nesta quinta-feira (07/07): “O bom policial tem medo: os custos da violência policial no Rio de Janeiro.”

A despeito dos recentes assassinatos de policiais, o relatório mostra que a disparidade nos números ainda é muito grande. Baseada em estatísticas do ano passado, a HRW mostra que para cada policial morto em serviço no Rio, a polícia matou 24 pessoas – o dobro do que ocorre na África do Sul, por exemplo, e o triplo do registrado nos Estados Unidos.

A disparidade é ainda mais alarmante nas dez regiões com o maior número de tiroteios reportados: em apenas três zonas, as unidades policiais foram responsáveis por 483 mortes, contra 15 fatalidades entre policiais.

O relatório, baseado em mais de 60 casos de uso ilegal da força letal e aproximadamente 90 entrevistas, examina as medidas tomadas para assegurar a responsabilização criminal por abusos policiais no estado do Rio de Janeiro.

Em preparação para os Jogos Olímpicos, o governo do Rio prometeu melhorar o policiamento no estado, mas não abordou o problema da impunidade por execuções extrajudiciais cometidas pela polícia, que contribuem com o ciclo da violência e comprometem a segurança pública.

Praticamente todas essas mortes atribuídas à polícia são reportadas como atos legítimos de autodefesa em resposta a ataques de criminosos. De acordo com a Human Rights Watch, a polícia do Rio, de fato, enfrenta ameaças reais por parte de gangues de criminosos fortemente armados e, por isso, muitas das mortes são resultado do uso legítimo da força letal. No entanto, pondera o relatório, muitas outras são assassinatos extrajudiciais.

“A polícia atira em pessoas desarmadas, atira pelas costas em fugitivos e executa indivíduos que já estão imobilizados com tiros na cabeça”, indica o relatório.

A Human Rights Watch sustenta ainda que, ao cometer tais crimes, policiais incorrem em outros para não deixar pistas. Por isso, ameaçam testemunhas, “plantam” armas nas vítimas, removem corpos das cenas dos crimes para hospitais, alegando socorro a feridos. Tais abusos raramente chegam à Justiça.

Ainda de acordo com o relatório, a sociedade paga um preço alto pelas execuções ilegais por parte da polícia – não apenas a vítima e sua família – mas também a própria polícia. 

Os assassinatos alimentam um ciclo de violência que coloca em risco a vida dos policiais que trabalham em áreas com altos índices de violência, compromete sua capacidade de trabalho, pondo em risco a sociedade como um todo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…