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Que sociedade queremos?

Essa bagunça toda que sacode o Brasil poderia, se o país tivesse mais pessoas responsáveis, ser benéfica para uma ampla discussão sobre em que tipo de sociedade, de sistema social, político e econômico, a maioria da população quer viver - e deixar de legado para seus descendentes.

Falem o que quiserem, mas os governos do PT esboçaram o que poderia ser uma social-democracia tropical - a maior do mundo.

Pela primeira vez na história do país o Estado mostrou que políticas sociais não são gasto, mas investimento.

É uma pena que o golpe que tenta acabar com a jovem democracia brasileira tenha interrompido essa experiência.

Pior que isso, entretanto, é saber que o contraponto ao welfare state tupiniquim delineado pelos trabalhistas, na prática é o pré-capitalismo explicitado pelos partidos de direita, sob o disfarce de um "Estado mínimo" que priva a quase totalidade da população do acesso universal à educação e saúde - os pilares de uma sociedade saudável.

Em muitos aspectos, o Brasil é um país sui generis, inovador e vibrante.

Em outros, porém, se mostra atrelado às mais reacionárias manifestações.

Entre esses dois extremos se encontram inúmeros caminhos, que os dias atuais, chocantes em suas contradições, tornam ainda mais misteriosos.

Mas quem entre os brasileiros, será capaz de indicar a rota mais precisa, a direção mais segura, para um futuro ao menos tolerável?  (Carlos Motta)

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