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O trabalho sujo

Em meus mais de 40 anos passados na labuta em várias redações de jornais pequenos e grandes, da capital e do interior, vi um fenômeno recorrente: alguém de média competência profissional se tornar o chefe do pedaço com uma única missão, a de fazer o trabalho sujo que outros profissionais mais qualificados não fariam.

Por trabalho sujo entenda-se dar uma limpa na redação, demitir os mais antigos, os de maior salário, os mais incômodos, seja por qual razão for.

Feito isso, o rinoceronte é enviado para o seu devido lugar, ou seja, também recebe o bilhete azul, e finalmente assume a redação o verdadeiro escolhido pelo patrão para tocar o negócio.

No Brasil, esse é o papel do dr. Mesóclise: ele tem o encargo de acabar com o incipiente Estado de bem-estar social instalado pelos trabalhistas no menor espaço de tempo possível.

Como é uma figura constrangedora e patética, que está se mostrando ainda menor do que seus patrões imaginavam, tudo está sendo feito aos trambolhões, de uma maneira absolutamente inepta e inconsequente.

Se continuar nesse passo o rinoceronte colocado em Brasília vai cair feio e quebrar uma ou várias patas - se não tiver ferimento pior.  (Carlos Motta)

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