Pular para o conteúdo principal

O conto do vigário do "Estado mínimo"

O "Estado mínimo" defendido pelos golpistas como contraponto ao modelo social-democrata que os trabalhistas estavam instalando no Brasil, se posto em prática, significa o início de uma era de misérias para a quase totalidade da população brasileira.

Não seriam apenas os pobres que sofreriam com a saída do Estado de suas funções reguladoras do mercado e da responsabilidade de prover educação e saúde universais, além de administrar um gigantesco sistema de aposentadorias, uma sofisticada burocracia e a manutenção de inúmeros projetos sociais.

A classe média, essa que caiu com maior facilidade no conto de vigário dos neoliberais, também seria reduzida a pó.

Se hoje, com o Estado bancando, mal e mal que seja, e um sistema de saúde para mais de 200 milhões de pessoas, o nosso típico classe média sofre para fazer seu orçamento caber no mês, imagine ele tendo de bancar essas "pequenas" coisas que o Estado tem bancado. 

O tal Estado mínimo vai favorecer apenas aqueles que sempre estiveram no topo da pirâmide social, aqueles que controlam os meios de produção, que se sentirão liberados para explorar ainda mais a mão de obra farta e barata que o país oferece.

Os empresários brasileiros, com toda a legislação que têm de obedecer, ainda vivem na fase pré-capitalista. 

Quando pedem menos impostos, não é para baratear seus produtos ou serviços, ou para contratar mais trabalhadores.

É, simplesmente, para aumentar seus lucros - pessoais, não de suas empresas.

Quem cai na conversa dessa gente revela uma ingenuidade absoluta.

Ou uma ignorância que mostra quão infantil é a nossa sociedade, que é ludibriada com extrema facilidade por charlatães de todos os tipos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…