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Falta pão, falta razão

A atual conjuntura política brasileira está de tal modo fissurada que é melhor chamá-la de desconjuntura. 

O consórcio golpista formado por parlamentares do PMDB-PSDB-DEM-PPS-partidecos de direita, bancadas evangélica, da bala, da bola e do boi, Judiciário, Ministério Público, imprensa e empresas - que no fundo formam um imenso bando de hipócritas, corruptos, lesa-pátrias, entreguistas, picaretas, bandidos de menor ou maior envergadura, essa que se intitula gente de bem, enfim - transformou o Brasil num hospício único no universo, por não ter direção nem corpo clínico, e cujos pacientes se impacientam em achar as portas de saída num labirinto kafkiano.

O fato é que não há hoje uma pessoa sequer que saiba o que vai acontecer na próxima semana ou no mês que vem.

Pensar no Brasil de 2017, 2018, então, é algo absolutamente impossível.

Claro que numa situação dessas aparecem os salvadores da pátria, inevitáveis, com suas maravilhosas fórmulas mágicas que, num estalar de dedos, vão devolver a paz, a ordem, a democracia e a retomada do progresso econômico para toda a sociedade.

E tome uma dose de plebiscito, outra de eleições já, outra de fora Temer, mais uma de tchau, Cunha... 

Misture tudo  e, tchan!, viveremos novamente felizes, como se esse pesadelo protagonizado pelo dr. Mesóclise e seu bando de corruptos amestrados não tivesse roubado o nosso sono, não tivesse matado os nossos sonhos de poder viver num país que, ao menos, nos dê esperança de um futuro melhor. 

Diz a sabedoria popular que há males que vêm para bem.

Mas as mesmas línguas nos ensinam que em casa em que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão.

Infelizmente, esse é Brasil atual: uma casa sem pão e sem razão. (Carlos Motta)

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