quarta-feira, 15 de junho de 2016

Dieese pinta um quadro negro do Brasil atual

O Boletim de Conjuntura do Dieese de junho, "Retração da Economia em 2016 Aprofunda Deterioração do Mercado de Trabalho", mostra os motivos que levaram o país à recessão, os números que demonstram a queda da atividade, e um diagnóstico sombrio do momento atual:

"O país está diante de uma situação bastante desafiadora, para se dizer o mínimo. Um quadro internacional adverso, muita incerteza no âmbito político interno, brutal reorientação da atuação estatal, contas públicas debilitadas e um segundo ano de forte retração da atividade econômica.

Adicionalmente, continuam em curso projetos com elevado impacto negativo sobre os direitos dos trabalhadores e sobre as perspectivas de promoção de um processo de desenvolvimento inclusivo. 

Vale citar, por exemplo, a regulamentação da terceirização, o projeto da prevalência do “negociado sobre o legislado”, o avanço do projeto que flexibiliza o conceito de trabalho análogo à escravidão e o que altera regras relativas ao papel da Petrobras como operadora única na exploração das jazidas do pré-sal. 

Nesse ambiente, os trabalhadores e suas famílias, que têm sofrido há algum tempo com o desemprego e a queda dos salários, vão provavelmente ter que lidar com a piora nas condições de funcionamento do mercado de trabalho brasileiro e das políticas públicas (de educação, saúde, moradia, assistência, previdência). 

O alívio trazido pela queda na inflação não será suficiente para compensar a alta que deverá acontecer no nível de desemprego e a deterioração das condições para a realização das negociações coletivas. 

Além disso, adentra-se em um período de potenciais mudanças de ordem estrutural nas relações de trabalho no país. São alterações que podem mexer em regras vigentes desde a primeira metade do século passado.

Muitas dessas mudanças têm sido justificadas pela atual conjuntura econômica que, em boa medida, relaciona-se a uma crise mais geral do capitalismo mundial. 

Essas justificativas, no entanto, são indevidas, pois o ônus dos ajustes não atinge igualmente toda a sociedade. São os trabalhadores e as classes de rendas mais baixas que acabam suportando todo o peso dos ajustes."

A íntegra do documento pode ser acessada aqui.

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