quarta-feira, 29 de junho de 2016

Crise deteriora ainda mais o mercado de trabalho

Se analistas têm apontado a desaceleração do agravamento da crise econômica (o que não significa, no entanto, ainda uma reversão) no mercado de trabalho, do qual dependem milhares de brasileiros, o panorama ainda continua de agravamento da crise.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad-IBGE) apontam 11,2% na taxa de desemprego segundo a Pnad contínua entre fevereiro e abril de 2016, o que corresponderia a 11,4 milhões de desocupados (ou uma quantia 42,1% maior em relação ao mesmo período do ano passado).

E dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram que, em maio de 2016, foram eliminados mais de 72 mil empregos celetistas no país, ou uma retração de 0,18% do estoque dos empregos assalariados com carteira assinada em relação ao mês anterior. 

No ano de 2016, a perda até agora é de 448.101 empregos e, nos doze meses, a perda é de 1.781.906 postos. O estoque de emprego para o mês de maio de 2016, segundo o ministério, é de 39.244.949 trabalhadores com carteira assinada. O setor com pior comportamento é a agropecuária no mês de maio de 2016. 

Já em termos regionais, pelo Caged, Minas Gerais teve o melhor desempenho absoluto e relativo (com saldo positivo de empregos). Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul disputam o pior desempenho absoluto (com saldo negativo), e o Rio Grande do Sul apresenta também o pior desempenho relativo (maior queda do emprego).

O Boletim de Conjuntura do Dieese (número 7, de junho de 2016) também aponta para a deterioração geral do mercado de trabalho em 2016, com aumento do desemprego e queda nos rendimentos reais dos trabalhadores e trabalhadoras, acompanhando o movimento de crise da economia. Do ponto de vista dos trabalhadores, o panorama não é positivo, segundo a publicação, com a crise econômica sendo utilizada como justificativa para a aplicação de medidas que coloquem nas costas dos trabalhadores os custos da crise. (Ana Luíza Matos de Oliveira, economista/Fundação Perseu Abramo)

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