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Combate à pobreza passa longe do governo golpista

Na semana em que o governo golpista completa um mês, do ponto de vista dos trabalhadores, não há o que comemorar: diversos analistas têm apontado para os riscos das propostas de Temer e seus ministros interinos para a grande maioria da população. 

Nesta semana saiu também relatório do PNUD (“Progresso Multidimensional: bem-estar além da renda”) que alerta para o risco de que milhões de famílias latino-americanas voltem à pobreza, o que, no entanto, poderia ser evitado com políticas públicas que se contraponham à desaceleração econômica na região. 

No relatório, manifesta-se preocupação pelos 25 a 30 milhões de pessoas (mais de um terço da população que saiu da pobreza na região desde 2003) que estão vulneráveis para recair na pobreza. Aponta-se ainda que, na década passada, o mercado de trabalho e a educação foram dois grandes motores para deixar a pobreza, mas seria fundamental que as políticas públicas de nova geração fortaleçam os quatro fatores que impedem retrocessos: proteção social, sistemas de cuidado, ativos físicos e financeiros e qualificação profissional. Frisa-se a importância do gasto social e das políticas públicas no combate à pobreza.

Infelizmente, no Brasil atual, não parece ser prioridade para Temer e seus ministros interinos a garantia de direitos mínimos de grande parte da população brasileira e o combate à pobreza, dado que, em um contexto de crise, as propostas de corte do ajuste fiscal recaem sempre sobre aqueles gastos que favorecem a maioria da população e seriam capazes de frear o aumento da pobreza, tais como bolsa família, previdência, direitos trabalhistas, gastos com saúde e educação, entre outros. Por outro lado, o governo sinaliza claramente que vem a defender os interesses de parcela mais privilegiada da população, como ao não propor limite ao crescimento de gastos com juros.

É importante dizer que os gastos sociais têm alto multiplicador: o gasto social é receita privada que estimula novos gastos privados, estimulando a atividade econômica. Assim, o gasto social tem só não o objetivo de garantir direitos básicos à população brasileira, como também o potencial de estimular a economia em um momento de recessão.

Entretanto, o combate à pobreza no governo interino de Temer nesses 30 dias não se mostrou como uma prioridade, mas sim a manutenção de certos interesses. (Ana Luíza Matos de Oliveira, economista/Fundação Perseu Abramo)

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