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Brasil registra superávit na conta corrente de maio

Desde o início de 2015 tem ocorrido uma melhora significativa das transações correntes do país. As transações correntes são compostas pelo saldo final das operações comerciais de produtos e serviços negociados pelo Brasil com outros países e inclui ainda o saldo da balança comercial, balança de serviços e transferências unilaterais. Analisando os dados do Banco Central, o saldo superavitário do mês é resultado particularmente da alta do dólar, que estimulou as exportações e a queda da atividade econômica doméstica e reduziu fortemente as importações por bens e serviços. 

Em maio, o país registrou um superávit de US$ 1,2 bilhão. O melhor desde agosto de 2007. O Banco Central projetava um déficit no período de US$ 200 milhões. Em grande medida, tal resultado das transações correntes adveio do desempenho na balança comercial, positiva em US$ 6,2 bilhões. Já a balança de serviços apresentou déficit de US$ 2,489 bilhões no mês e US$ 31,142 bilhões em doze meses.

Assim, o déficit da conta corrente em doze meses continuou apresentando melhora em maio de 2016, seguindo o movimento iniciado no ano passado. Apesar disso, no acumulado do ano, as transações correntes são deficitárias em US$ 5,966 bilhões. Dados revisados do Banco Central mostram que a autoridade monetária projeta para o final de 2016 um déficit de US$ 15 bilhões, em vez de US$ 25 bilhões.

A tendência de ajuste das transações correntes, que compõem o balanço de pagamentos, permite afastar uma crise nas contas externas. No entanto, a despeito disso, ao se pensar em uma estratégia de crescimento sustentável é imprescindível que ocorram políticas voltadas à redução das taxas de juros e manutenção da taxa de câmbio em um patamar que favoreça a diversificação das exportações brasileiras e a incorporação de setores mais sofisticados – intensivos em tecnologias – à estrutura produtiva e exportações da economia. Ou seja, é imperativa uma política macroeconômica favorável a promover uma mudança estrutural na economia. (Igor Rocha, economista/Fundação Perseu Abramo)

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