Pular para o conteúdo principal

Uma vergonha sem tamanho

O desgoverno do dr. Mesóclise ultrapassa toda expectativa que se tinha a respeito de sua mediocridade.

O sentimento de extrema vergonha cobre qualquer pessoa com dois neurônios e mínima noção de ética ao passar os olhos pelo noticiário diário.

E é interessante notar que o mal-estar não acomete somente aqueles que não embarcaram na onda do antipetismo furibundo - até mesmo o jornalismo oligopolizado, que mergulhou profundamente na aventura golpista, começa a perceber que os homens encarregados de traçar o Brasil Novo são, no mínimo, de uma incompetência ímpar.

Colunistas até ontem freneticamente envolvidos na louvação do assalto ao Palácio do Planalto já adotam um tom mais comedido, quanto não reprovativo, às decisões do ex-vice decorativo, atual presidente interino.

Muitos desses escribas, como se sabe, assumem publicamente um cosmopolitismo incompatível com a insignificância intelectual e moral demonstrada pelo dr. Mesóclise e seu gabinete.

Para eles, viver no Brasil dos trabalhistas significava estar anos-luz do glamour das ofuscantes luzes da civilização fincada no Hemisfério Norte.

Só que agora este Brasil Novo está ocupado por uma súcia sedenta pela captura imediata do butim, e que nem esconde suas intenções. 

O país, há pouco tempo candidato a potência, virou piada mundial.

Para esses nossos tão bem informados e refinados redatores, o melhor agora é fingir que a troça não existe e apelar, nos seus textos rasos, para conselhos austeros sobre como superar a crise - hoje mais moral e ética do que econômica e política - que sufoca o Brasil. 

Conselhos, aliás, ausentes nos seus escritos de antes da consumação do golpe.  (Carlos Motta)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…