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Uma vergonha sem tamanho

O desgoverno do dr. Mesóclise ultrapassa toda expectativa que se tinha a respeito de sua mediocridade.

O sentimento de extrema vergonha cobre qualquer pessoa com dois neurônios e mínima noção de ética ao passar os olhos pelo noticiário diário.

E é interessante notar que o mal-estar não acomete somente aqueles que não embarcaram na onda do antipetismo furibundo - até mesmo o jornalismo oligopolizado, que mergulhou profundamente na aventura golpista, começa a perceber que os homens encarregados de traçar o Brasil Novo são, no mínimo, de uma incompetência ímpar.

Colunistas até ontem freneticamente envolvidos na louvação do assalto ao Palácio do Planalto já adotam um tom mais comedido, quanto não reprovativo, às decisões do ex-vice decorativo, atual presidente interino.

Muitos desses escribas, como se sabe, assumem publicamente um cosmopolitismo incompatível com a insignificância intelectual e moral demonstrada pelo dr. Mesóclise e seu gabinete.

Para eles, viver no Brasil dos trabalhistas significava estar anos-luz do glamour das ofuscantes luzes da civilização fincada no Hemisfério Norte.

Só que agora este Brasil Novo está ocupado por uma súcia sedenta pela captura imediata do butim, e que nem esconde suas intenções. 

O país, há pouco tempo candidato a potência, virou piada mundial.

Para esses nossos tão bem informados e refinados redatores, o melhor agora é fingir que a troça não existe e apelar, nos seus textos rasos, para conselhos austeros sobre como superar a crise - hoje mais moral e ética do que econômica e política - que sufoca o Brasil. 

Conselhos, aliás, ausentes nos seus escritos de antes da consumação do golpe.  (Carlos Motta)

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