quinta-feira, 5 de maio de 2016

Um filme, uma ficção, um caso real

Esboço de um roteiro para um filme que mistura drama, comédia, suspense e ação:

Numa cidadezinha lá onde Judas perdeu as botas, o grupo político dos homens de bem, formado pelo juiz, promotor, delegado de polícia, advogado, padre, fazendeiro, dono da quitanda, dono do jornal e o da fábrica de pregos, acha que chegou a hora de dar um basta no governo daquela prefeita comunista, que só pensa em ajudar os pobres e se esquece que sem os ricos este nosso mundo não seria o que é.

Assim, para resolver o problema de vez, chamam um dos vereadores, testa de ferro do grupo em muitos negócios suspeitos, um sujeito violento que se elegeu na base da compra de votos, ameaças a eleitores e, muitas vezes, na porrada mesmo, para fazer o "serviço".

Se bem feito, dizem os homens de bem da cidadezinha, ninguém irá acusá-lo de nada.

E se acusarem, o juiz, o promotor, o delegado, o advogado e até o padre vão mexer uns pauzinhos para que ele escape sem problema nenhum da confusão.

Serviço feito, a prefeita comunista agora descansa eternamente a sete palmos debaixo da terra.

O diz que diz foi enorme e estava ficando ruim para o grupo dos homens de bem, que acionam rapidamente o plano concebido desde que a comunista tomou posse na Prefeitura: mandam prender o vereador sob a acusação de ter assassinado a prefeita.

O indigitado chiou, jogou merda no ventilador, acusou todo mundo, mas como duvidar do que dizem um juiz de direito, um promotor, um delegado de polícia, um padre, um fazendeiro, um negociante e um industrial - todos homens de bem?

Sem contar as manchetes do jornal...

Conclusão: o matador é condenado, o vice-prefeito, que ninguém sabia, mas fazia parte do grupo dos homens de bem, assume o cargo da comunista e a ordem é restabelecida na cidadezinha.

E depois do letreiro de The End aparece a frase que livra os produtores do filme de eventuais problemas: "Esta é uma obra de ficção e qualquer semelhança com fatos ocorridos é mera coincidência."

Como se diz por aí, o mundo é dos espertos.  (Carlos Motta)

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