quarta-feira, 11 de maio de 2016

Sonho meu

Passei 50 anos de minha vida num pais onde:

os negros conheciam o seu lugar;

os pobres se contentavam com pouco;

quem mandava na cidade eram o prefeito, o delegado, o juiz de direito e meia dúzia de ricaços;

nas festas familiares os homens ficavam de um lado, conversando sobre futebol, e as mulheres de outro, fofocando;

as empregadas domésticas usavam o elevador de serviço, recebiam um salário abaixo do mínimo legal, transavam com o filho do patrão, dormiam em quartinhos de 2 x 2 metros, e ganhavam roupas usadas da dona da casa;

as pessoas davam parabéns a quem comprava um carro novo;

comer numa pizzaria era o máximo de lazer para o fim de semana de uma família classe média baixa;

Maluf era o exemplo do bom político, porque roubava, mas fazia;

toda mãe queria que o filho fosse ou médico ou militar;

advogado era doutor, dentista era doutor, veterinário era doutor, delegado era doutor, médico era doutor, qualquer um que usasse terno era doutor;

as notícias dos jornais valiam como verdades incontestáveis;

as coisas eram como eram porque sempre foram assim e ponto final.

Num certo dia tudo mudou e pensei então que essas mudanças fizessem parte de um processo evolutivo para tornar o mundo melhor.

Mas aí acordei e o dia estava escuro, sem sol, sem cor, sem música e sem vida.  (Carlos Motta)

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