sexta-feira, 27 de maio de 2016

Brasil volta ao que era: uma gigantesca colônia

Um das heranças mais malditas desse inacreditável governo "interino" que substitui, à força de um golpe, a presidenta Dilma Rousseff, já é visível: o Brasil volta a ser, perante todo o mundo, aquele país gigante sem nenhuma importância geopolítica, nenhuma expressão nos fóruns e entidades internacionais, nenhuma ambição de se tornar uma potência respeitada.

O Brasil dá marcha a ré aos tempos em que o seu embaixador nos Estados Unidos tinha de se submeter a uma revista, sendo, inclusive, obrigado a tirar os sapatos, para poder entrar naquele país, que, é quase certo, teve influência decisiva na derrubada da presidenta Dilma.

Entre seus acertos, os governos trabalhistas se esforçaram - e, sob certos aspectos, conseguiram - tirar o Brasil do domínio americano, estabelecendo relações comerciais e diplomáticas fortes com outras áreas do planeta, principalmente a África, onde a presença chinesa é fortíssima, países em desenvolvimento abaixo da linha do Equador, a própria China e os outros componentes do grupo denominado de Brics - além de Brasil e China, a Rússia, a Índia e a África do Sul.

E, embora tenha ampliado os seus mercados, não descuidou das relações comerciais com os Estados Unidos, que continuam sendo o principal parceiro do Brasil, nem com a Europa.

Ao mesmo tempo, teve presença marcante na Organização Mundial do Comércio, no G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, e em outros organismos multilaterais.

O fato de a deposição da presidenta Dilma ganhar destaque na imprensa dos grandes centros de influência do globo pelo que foi verdadeiramente - um golpe de Estado - e, pior, de esses veículos tratarem o governo interino como um grupo de políticos corruptos que conseguiu afastar uma presidenta honesta, joga no chão a imagem do Brasil, que começava a inspirar uma boa dose de admiração nas outras nações.

Construir um país soberano, democrático, forte econômica e socialmente, é uma tarefa gigantesca, de muitas gerações.

Destruir esse país, fazendo-o retornar à condição de colônia do Grande Irmão do Norte, é relativamente fácil.

Basta, para isso, a ação de um governo entreguista, acumpliciado a um Congresso formado por picaretas, um Judiciário e Ministério Público preocupados em ampliar seus privilégios, um empresariado que vive o pré-capitalismo, e uma imprensa venal.  (Carlos Motta)

Nenhum comentário:

Postar um comentário