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A voz do povo

Bezerra da Silva foi o maior intérprete dos pobres e marginalizados da história da música popular brasileira.

Muita gente não sabe que os sambas que gravou não eram de sua autoria, mas sim de compositores quase anônimos, pedreiros, eletricistas, biscateiros, favelados em geral, que eram seus amigos ou conhecidos.

Ao gravar suas músicas, Bezerra acreditava estar dando vez para o pobre povo brasileiro contar as suas angústias e vicissitudes.

As letras desses sambas são uma espécie de repositário da cultura popular, principalmente das periferias das grandes cidades.

Alguns dos refrões se tornaram clássicos e até hoje se confundem com o que Bezerra pensava da vida e da sociedade.

Nestes tempos de Brasil Novo, é bom ouvir a sabedoria popular.

Com a palavra, então, o eterno Bezerra da Silva:

Se vocês estão a fim de prender o ladrão, podem voltar pelo mesmo caminho. O ladrão está escondido lá embaixo, atrás da gravata e do colarinho.

Malandro é malandro, mané é mané.

Se gritar “pega ladrão”, não fica um, meu irmão...

Quem defende bandido é advogado.

Você com um revólver na mão é mesmo bicho feroz, sem ele anda rebolando e até muda de voz!

Quando tá muito ruim é porque tá perto de melhorar.

A verdade só doi no mentiroso.

Eu conheço uma pá de otário metido a malandro que anda gingando, crente que tá abafando, e só aprendeu a falar: Como é que é? Como é que tá?

Não preciso fazer a cabeça, eu já nasci com ela.

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