Pular para o conteúdo principal

A assustadora sinceridade dos ministros

Na longa história da humanidade é impossível que tenha havido um ministério tão desqualificado quanto o formado pelo governo interino do Brasil.

As figuras que o compõem são inacreditáveis.

As bobagens que falaram em apenas uma semana de "trabalho" são antológicas.

Se muitas das escolhas feitas pela presidenta Dilma mereceram críticas, as feitas pelo usurpador não merecem nem ser comentadas.

De uma coisa, porém, ninguém pode reclamar: os neoministros não escondem as suas intenções e deixaram bem claro por que integram o bando que se apossou do Palácio do Planalto.

Um deles decretou o fim do SUS.

Outro, o da educação gratuita.

Mais um, o da habitação popular subsidiada.

Desemprego em massa e mais recessão estiveram no cardápio apresentando pelo da Fazenda.

E por aí vai.

Teve um, porém, que chocou a todos, um pastor evangélico (aleluia!), que foi parar numa pasta chamada de Indústria, Comércio e Serviços, não pelo que anunciou, mas pelo que deixou de anunciar.

"A indústria é um setor que eu tive pouca afinidade, embora tenha sido contador de indústria no início de minha carreira", disse à repórter Cristiane Agostine, do Valor.

O pastor, ao confessar a sua ignorância, não se confundiu, nem sobre a sua identidade, nem sobre a sua atual função, nem sobre onde estava naquele momento.

Em seu templo, certamente, ele se dirigiria aos fiéis com certezas absolutas - afinal, em tempos de crise, não deve estar fácil como antigamente cobrar o dízimo.  (Carlos Motta)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pátria deseducadora

Juiz de direito, guitarrista. E criador de um festival internacional de música

Carlos Motta
A vida de músico não é fácil no Brasil. Da mesma forma, não é para os fracos a tarefa de promover a música num ambiente dominado por uma indústria que odeia a qualidade. Mesmo assim há pessoas que se dedicam simultaneamente à vida artística e à extenuante missão de levar cultura ao público. 

Haja fôlego, haja coragem, haja vontade.

A situação se complica ainda mais quando essa pessoa exerce uma profissão que exige uma atenção constante, quase como um sacerdócio. 

Esse é o caso o doutor José Fernando Seifarth de Freitas, juiz da Vara da Família em Piracicaba, importante cidade do interior paulista, que também é Fernando Seifarth, violonista dos mais respeitados entre o pessoal que toca o jazz manouche, ou cigano, gênero que nasceu da genialidade do belga Django Reinhardt, lá nos anos 30 do século passado e rapidamente se espalhou pelo mundo todo. 

O juiz de direito e o músico, provando que muitas vezes querer é poder, se fundiram há alguns anos para criar um dos mais interessan…

A arte popular brasileira ganha um livro

"Eu me ensinei: narrativas da criatividade popular brasileira" é ao mesmo tempo um livro de arte e um compêndio raro sobre a obra de 78 artistas autodidatas de todo o país. “Eu me ensinei sozinha”, frase cunhada por Izabel Mendes da Cunha, conhecida como Dona Izabel, representa, com clareza, a síntese da categoria que aglutina os artistas do livro. A obra será lançada no dia 7 de dezembro de 2017, às 18h30, na Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509, em São Paulo. 
Autoria e projeto editorial de Edna Matosinho de Pontes, a publicação bilíngue (português e inglês), 464 páginas, editada pela Via Impressa Edições de Arte, além de registrar a vida e obra dos artistas relacionados, traz um ensaio aprofundado sobre a questão da arte popular, de Ricardo Gomes de Lima, e texto de apresentação assinado por Fabio Magalhães. 

Com seu arsenal de conhecimento sobre essa expressão artística nacional, acumulado ao longo de 30 anos como estudiosa, colecionadora e galerista, Edna Ponte…